quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Viagem a Cracóvia: o castelo de Wawel, o centro histórico e uma avaria do carro inesperada

Partimos para Cracóvia para duas noites e, logo no primeiro dia, na garagem subterrânea saiu-nos o líquido dos travões. Ainda assim não desistimos de visitar a cidade: passámos pela Porta de São Floriano, pela maior praça medieval da Europa, pelo castelo de Wawel e, ao anoitecer, pelas margens do Vístula.

Viagem a Cracóvia: o castelo de Wawel, o centro histórico e uma avaria do carro inesperada

A nossa viagem seguinte levou-nos a uma das maiores cidades da Polónia: Cracóvia. Cracóvia é uma cidade enorme, com mais de 800 000 habitantes e uma história muito rica.

Partimos de Jihlava com o meu marido e o tio dele e, em Brno, apanhámos ainda a minha melhor amiga. Esperava-nos a viagem pela autoestrada, passando por Ostrava, até à Polónia. No total, de Jihlava a Cracóvia são cerca de 400 quilómetros de carro e pouco mais de 4 horas, dependendo, claro, do trânsito e também das paragens para um lanche ou para esticar as pernas. Fomos pelo troço pago da autoestrada A4 de Katowice a Cracóvia, onde se paga portagem nas praças de portagem. Pode pagar-se comodamente com cartão ou em dinheiro.

Ainda no lado checo, mesmo antes da fronteira polaca, reparámos que tínhamos uma pequena fenda no para-brisas, provavelmente de uma pedrinha. Dissemos a nós próprios que de certeza aguentaria assim. Ainda não fazíamos ideia do que nos esperava no destino.

A surpresa subterrânea de Cracóvia

Tínhamos reservado pelo Booking um apartamento com dois quartos e estacionamento subterrâneo. E em Cracóvia queríamos passar duas noites. A navegação levou-nos exatamente até ao nosso alojamento e entrámos na garagem. Tirámos parte das coisas do carro e fomos fazer o check-in, com a ideia de voltar para buscar o resto pouco depois. Ao regressar ao carro, o meu marido reparou numa pequena poça por baixo dele. Nenhum de nós a tinha visto antes, por isso não sabíamos se vinha do nosso carro. Tenho de acrescentar que temos um Kia Rio velho, mas é um valentão de confiança que já nos levou milhares de quilómetros sem falhar.

O meu marido decidiu tentar avançar um pouco para vermos se aquela poça estava molhada. Mas mal carregou no travão, o pedal amoleceu e por baixo do carro saiu o líquido dos travões. Era fim de semana, por isso era claro para nós que a maioria das oficinas não estaria a trabalhar. Do apartamento, o meu marido ligou para a seguradora, onde o aconselharam com toda a boa vontade. Passado algum tempo chegou um reboque, tirou o carro com jeito da garagem subterrânea, carregou-o e levou-o. A seguradora enviou-nos também informações e o contacto de uma oficina, mas ninguém conseguia garantir quando o carro estaria pronto. Sobretudo porque ao domingo a oficina estava fechada. E o tio e a minha amiga tinham de trabalhar na segunda-feira. Felizmente, os dois conseguiram arranjar folga para segunda, o que nos poupou a todos muito stresse.

Dissemos a nós próprios que, já que estávamos em Cracóvia e estávamos bem, não íamos mudar os planos. Chamámos um Bolt e fomos descobrir as belezas da cidade.

Pela história até ao coração de Cracóvia

O Bolt deixou-nos na rua Plac Jana Matejki. Aqui não se pode ignorar o imponente Monumento de Grunwald (Pomnik Grunwaldzki). É um enorme conjunto escultórico com o rei Ladislau II Jagelão a cavalo. Daí seguimos para a Barbacã. É uma interessante construção defensiva do final do século XV que foi uma parte importante das fortificações da cidade. Hoje pertence ao Museu de Cracóvia e está aberta a visitantes.

Logo atrás da Barbacã passámos pela Porta de São Floriano (Brama Floriańska). Esta porta medieval tem 34,5 metros de altura e foi outrora a entrada principal da cidade na chamada Via Real. Mesmo junto à porta, um pintor local vendia belíssimos quadros pintados à mão. Daí seguimos pela animada rua Floriańska (ulica Floriańska), cheia de lojinhas, cafés e restaurantes. Entre outras coisas, encontra-se aqui o conhecido museu de cera.

A maior praça medieval e a lenda do dragão

Seguindo a rua, chegámos ao Rynek Główny, a Praça do Mercado. Cada um dos seus lados mede pouco mais de 200 metros e é uma das maiores praças medievais da Europa. A praça é dominada pela inconfundível basílica de Santa Maria (Kościół Mariacki), com as suas duas torres características de alturas diferentes. No centro da praça ergue-se o histórico mercado coberto Sukiennice, ou seja, o Mercado dos Panos. Antigamente comerciava-se aqui, entre outras coisas, pano; hoje, no interior, encontram-se bancas cheias de recordações, joias de âmbar e artesanato.

Mas há uma coisa que em Cracóvia se nota a cada passo: há dragões por todo o lado. Em forma de peluches, em ímanes e nas mais variadas recordações. É que o dragão de Wawel, Smok Wawelski, é uma das lendas mais conhecidas ligadas a Cracóvia.

Durante o passeio parámos também na padaria e cafetaria local Lajkonik, onde bebemos um ótimo chá e comemos algo bom. De resto, claro, levávamos a nossa bebida e a nossa comida na mochila, mas tínhamos mesmo de provar algo local.

O castelo de Wawel, os carrosséis e o Vístula ao anoitecer

Seguimos depois pela histórica rua Grodzka, que é outra parte da Via Real e nos conduziu até à majestosa colina do castelo de Wawel. Wawel é um dos lugares históricos mais importantes da Polónia. Durante séculos foi a residência dos soberanos polacos e, na catedral, os reis da Polónia eram coroados e sepultados.

O melhor é que à própria colina do castelo e às partes exteriores do recinto de acesso livre se entra de graça. Fomos até à famosa estátua do dragão de Wawel. Normalmente o dragão cospe fogo a sério a intervalos regulares, mas durante a nossa visita estava mesmo em manutenção, por isso não deitava fogo.

A partir do dragão seguimos pela marginal Bulwar Czerwieński ao longo do rio Vístula. Já começava a escurecer e tínhamos passado várias horas a caminhar pela cidade. Atravessámos a ponte Grunwaldzki e chegámos a uma atração local: a gigantesca roda panorâmica Cracow Eye. Nas imediações havia também outros carrosséis e o que mais me encantou foi um lindíssimo e elegante carrossel de dois andares, como saído de um conto de fadas. Chegámos até a ver um balão cativo panorâmico.

Aqui terminava o nosso passeio noturno pela cidade. Para voltar ao alojamento apanhámos outra vez um Bolt, jantámos no apartamento e caímos na cama de cansaço.

No segundo dia decidimos ir descobrir o anel exterior de Cracóvia, fora do centro, e fomos também ver o parque. O parque municipal Planty é bastante singular. Forma um cinturão verde com mais de 4 quilómetros de comprimento à volta de todo o núcleo histórico da cidade. Mais uma vez passámos várias horas a descobrir a cidade. À noite fizemos o jantar e procurámos as ligações de autocarro para o tio e a minha amiga, que no dia seguinte já tinham de voltar para casa.

💡 O meu pequeno conselho final: como escolher alojamento em Cracóvia?

O nosso apartamento era muito bonito e limpo, mas tinha um defeito enorme: um isolamento acústico péssimo. A noite toda passavam elétricos por baixo das janelas e o barulho da rua era mesmo difícil de aguentar. Se vão a Cracóvia, o meu conselho sincero é este: ao escolher alojamento, olhem também para a sua localização. É melhor procurar um alojamento longe das ruas principais e das linhas do elétrico.

Já estiveram alguma vez em Cracóvia? E viram o dragão de Wawel a cuspir fogo a sério, ou estava em pausa como no nosso caso? 🙂

Bom saber

Onde estacionar em Cracóvia?

Para mim, o ideal é escolher um alojamento com garagem ou estacionamento próprio. No centro alargado de Cracóvia há zonas de estacionamento pago divididas em várias subzonas. Antes da viagem, recomendo verificar as regras e os preços em vigor para o local concreto.

Paga-se entrada em Wawel?

Pela colina de Wawel em si e pelas partes exteriores do recinto normalmente de acesso livre não se paga entrada. Os bilhetes compram-se para as diferentes exposições do castelo, a Gruta do Dragão, alguns outros espaços de visita e, em separado, também para as partes turísticas da catedral de Wawel.

Qual é a melhor forma de circular em Cracóvia?

O centro histórico de Cracóvia percorre-se muito bem a pé. Para deslocações mais longas podes usar os elétricos e autocarros ou serviços como o Bolt e o Uber. Por causa do nosso carro avariado usámos sobretudo o Bolt e funcionou sem qualquer problema.

Há portagem na autoestrada A4 entre Katowice e Cracóvia?

Sim. O troço A4 Katowice–Cracóvia é pago. A portagem é cobrada em duas praças de portagem: em Mysłowice e em Balice. Desde 1 de abril de 2026, passar com um automóvel ligeiro normal custa 18 zł em cada praça, ou seja, 36 zł por todo o troço. Ainda assim, é sempre melhor confirmar o preço atual antes de partir.

O dragão de Wawel cospe mesmo fogo?

Sim. A estátua do dragão de Wawel está ligada a uma instalação de gás e cospe mesmo fogo. Se estiver a decorrer manutenção ou o mecanismo estiver fora de serviço, podes acabar como nós e ter de esperar pelo fogo até à próxima visita.